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8 citações que guardamos de 'A gente mira no amor e acerta na solidão'

Por Duna Decor · 4 de abril de 2026 · 4 min de leitura

Livro aberto sobre manta macia em luz quente e aconchegante

Nota da redação

Uma coleção em aberto dos trechos de Ana Suy que ficaram marcados — sobre amor, autoconhecimento e a capacidade humana de não saber o que sabe.

A gente mira no amor e acerta na solidão, de Ana Suy, é um daqueles livros que não se terminam — eles continuam acontecendo depois. Ao longo da leitura, certos trechos exigem pausa. Não para serem relidos, mas para que possam assentar.

Os abaixo são os que ficaram. Esta é uma coleção em aberto — novos trechos serão adicionados com a leitura.

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Quem sou eu para além do que já sei? É a pergunta que nos fazemos na vida, e a pessoa do nosso amor tende a ser aquela que nos dá alguma pista de que tem alguma resposta. Não tem, é claro, como poderia alguém saber mais sobre nós do que nós mesmos?
Ana SuyCapítulo 3
No amor no sentido sexual, no entanto, pretendemos não nos separar nunca do outro. Temos a ambiciosa fantasia de ficar juntos para sempre. É claro que essa é uma fantasia amorosa que costuma estar advertida do impossível de encontrar a tampa da panela, a metade da laranja, especialmente nos dias de hoje, em que trabalhamos tanto para desconstruir as idealizações, por vezes delirantes, do amor romântico. Mas saber racionalmente que a alma gêmea não existe não nos exime de desejar que ela venha a existir, ou mesmo de agir como se não soubéssemos que ela não existe. A capacidade que temos de não saber aquilo que sabemos é impressionante.
Ana SuyCapítulo 3
Com frequência, pensamos que, no amor, encontraríamos a parte que supostamente nos falta, a parte que nos livraria da nossa própria falta, a parte que nos preencheria. No entanto, no amor, o que se experiencia é o contrário. Quando amamos alguém, nossa falta tende a ser duplicada. Ao encontrar um amor, a gente não encontra a parte que nos faltava até então. A gente encontra a metade que fará falta a partir dali. Mira-se no amor, acerta-se na solidão!
Ana SuyCapítulo 4
Amar é algo que aprendemos sendo amados. É porque alguém em algum momento nos amou na vida, ainda que tenha amado mal, que a gente aprende a amar, ainda que ame mal. Mas nossas primeiras experiências de amor são irremediáveis. [...] Nosso modo de ocupar um lugar mais ou menos precioso para alguém servirá como bússola para nos posicionarmos no campo do amor nas escolhas da vida madura, ainda que não seja tão madura assim.
Ana SuyCapítulo 5
A gente espera demais do amor. Acha que ele é infinito, inquebrável, imortal - ou que não é amor. [...] Que valor poderíamos atribuir a um amor que se sabe fadado ao término? [...] Tendemos a tomar a diferença do outro como desamor, a tomar a outridade do outro como rejeição. Como o outro se atreve a pensar diferente, a querer outras coisas, a gozar de outro modo? [...] A gente não ama o outro porque ele é o nosso espelho, a gente ama o outro na notícia que ele dá de que há um mundo para além do nosso umbigo. Ter o nosso narcisismo furado é um baita alívio, e, no amor, é disso que se trata. [...] Eis que, amando, ou interpretamos a experiência desencontrada do amor como um erro, como no enunciado "não era amor", ou tratamos de elaborar o luto por aquilo que pensávamos que era amor.
Ana SuyCapítulo 8
Esses devaneios, essas coisas que a gente imagina e cria na mente, são infinitos. Se tenho uma festa programada, posso imaginar que vou sozinha ao evento e será divertido porque vou conhecer muita gente e fazer novos amigos, posso imaginar que vou encontrar o grande amor da minha vida e não vamos nos desencontrar a noite toda, posso imaginar que depararei com uma inimizade antiga e lavaremos roupa suja... Enfim, são inúmeras as possibilidades de acontecimentos que a linguagem nos permite inventar. Mas, de todas as possibilidades, são pouquissississíssimas as que acontecem. Todo o resto fica de fora. Assim, por mais que eu tenha uma ótima experiência na festa, no fim das contas, deparo com certo vazio, que aponta para o impossível de satisfazer plenamente o desejo. No fim da festa estamos sempre com nós mesmos e os nossos vazios, por mais incrível que o evento tenha sido. E sabemos que nem toda festa é incrível, além de que nem tudo é festa...
Ana SuyCapítulo 11
Uma vez que somos seres de linguagem, seres sociais e pensantes, no entanto, jamais estamos verdadeiramente sozinhos, já que estamos sempre com a gente mesmo. [...] Quem nunca foi invadido de repente por um pensamento que pareceu não tem sido pensado por si, mesmo sabendo que foi? [...] Nosso sofrimento costuma se dar quando, nessa falação, nos agredimos, nos tratamos mal, nos mal amamos. Nessas condições, autoexigências podem se tornadas medidas, autodepreciações nos invadem e ficamos chateados, ansiosos, tristes, às vezes melancólicos e depressivos. Se a solidão costuma ser um problema, não é porque ficamos sozinhos de fato, mas sim porque podemos ficar mal acompanhados: por nós mesmos.
Ana SuyCapítulo 19
Quantas vidas não foram salvas por amigos? Tendo a pensar que nossos amigos são aquelas pessoas que conhecem partes nossas que, por vezes, ficam de fora da parceria romântica. [...] Não é por acaso que um indício fortíssimo de que um relacionamento possa ser "abusivo" se dá quando um vai minando as amizades do outro. Se alguém tem medo ou tenta impedir/atrapalhar a análise do parceiro ou suas amizades, provavelmente é porque essa pessoa deve ter razão ao se sentir ameaçada por outros laços amorosos que não os que são vividos com ela! Enquanto no amor sexual temos a tendência a querer ser o único objeto de amor do outro e a demandar que ele também seja único para nós, curando nossas feridas narcísiscas infantis, no campo da amizade temos muito menos perturbações. É verdade que há pessoas tão narcisicamente inseguras que têm ciúmes até dos amigos - isso não é nada incomum, aliás -, mas a tendência da amizade é poder, mais do que dividir, espalhar o amor.
Ana SuyCapítulo 22
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Um convite para cuidar de você 🌻

A leitura de A gente mira no amor e acerta na solidão, de Ana Suy, não é um manual com regras frias ou críticas às suas escolhas; é um acolhimento respeitoso para a mulher incrível e vulnerável que você é. É a permissão que você precisava para não ser perfeita e, finalmente, encontrar paz na sua própria companhia e nos seus laços afetivos.

Dê a si mesma o presente de entender o seu próprio coração. Como um pequeno e gentil passo em direção ao seu autocuidado emocional, clique aqui para adquirir o seu exemplar e permitir que essa leitura transforme a sua jornada.

Você merece esse tempo para se escutar.

Capa minimalista do livro A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão

Leitura recomendada

Livro: A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão

Ana Suy

Paidós

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Se esses trechos ressoaram, vale equipar o ambiente onde essa leitura vai acontecer. Um cantinho com a luz certa, a textura certa e a quietude certa transforma uma leitura boa em uma experiência de cuidado real.